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sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Tv Series as a cultural phenomenon

 Tv Series as a cultural phenomenon

Tv Series have been a cultural phenomenon since the last century because they are due to translate with humor and delightful charm a contemporary theme with each episode. Unlike the soap opera, which each episode leaves mystery for the next chapter, the time in the Tv Series is the present and its focus is the issue discussed by the Society at the instant it was produced. The title of the most popular (or cult) series, when related to the time of its production, confirms that they are the cutout of an instant of a generation. Take, as an example, the evolution of the behavioral theme through three famous tv series produced sequentially: Seinfeld (individuality; 1989–1998), Friends (friendship/relationship; 1994-2004) and recently Modern Family (the contemporary family, 2010 — until now).

August 14, 2020.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

II Seminário Morte, arte fúnebre e patrimônio | Rio de Janeiro, Outubro/2019.

 Prorrogação para envio de Comunicações 15.08.2019

O Comitê Organizador do II Seminário Morte, arte fúnebre e patrimônio: interlocuções, lugares e documentos post mortem  convida a Comunidade Acadêmica e Profissionais a enviarem Comunicações para o evento.
Eixos Temáticos
 Eixo Temático I:  Paisagem e patrimônio sob o signo da finitude humana
Eixo Temático II:  Literatura, cinema e cibercultura: narrativas da morte, do morrer e do além túmulo
Eixo Temático III: O cadáver como documento jurídico e os lugares que o abrigam


INFORMAÇÕES  



Realização 
Grupo de Pesquisas Paisagens Híbridas | GPPH-Escola de Belas Artes/UFRJ
Grupo de Estudos de Arquitetura Cemiterial | Escola de Arquitetura e Urbanismo | EAU/UFF
Laboratório de Ensino de História | LAH– Universidade Federal de Pelotas

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Arte e Religiosidades, a mais nova produção literária.

Arte_e_Religiosidades,
um novo livro sobre Vassouras e Paraty! Imperdível. Aguardo a crítica (rigorosa) de todos(as). 

Link:

Praça Central e Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição (Foto: Raphael David, 2017)


sexta-feira, 28 de abril de 2017

Conservation Of Soils and Economic Development, Lectture from Michael Fullen, University of Wolverhampton, England,

Prof. Dr. Michael Agustine Fullen will give a lecture at the Graduate Program in Geography (PPGG-UFRJ), as part of his technical visit to the Department of Geography, where he participated in the PhD bank of Maria do Carmo Oliveira Jorge, on April 24 2017; he also participated of the Io. Workshop Art and Science, organized by the Laboratory of Environmental Geomorphology and Soil Degradation (LAGESOLOS - UFRJ) and by the School of Fine Arts (EBA-UFRJ).
Open to the entire Academic Community, his lecture it will analyses the Conservation Of Soils and Economic Development, a topic that has been researched by Prof. Michael Fullen, of the University of Wolverhampton, England, for more than 30 years.
The lecture will be given in English, in the Auditorium of the Geography Graduation, room I-017, CCMN, on 02/05, from 13:30 to 14:30.
Everyone is invited.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Cláudio Pastro, o Arquiteto de Deus.


Em Outubro sofremos uma grande perda, a morte do oblato e artista sacro Cláudio Pastro. A história do Mosteiro da Virgem em Petrópolis cruza com a história de vida e obra deste artista, que fazia questão de dizer que toda sua obra era para Deus.  Através do Mosteiro Nossa Senhora da Paz, de Itapecerica da Serra, Cláudio se tornou oblato e pode lá mesmo iniciar seus trabalhos.
A infância do artista
De família católica, Claudio Pastro nasceu em 16 de outubro de 1948, na cidade de São Paulo. Seus avós maternos eram espanhóis. O avô paterno nasceu na região do Vêneto, província de Treviso, Itália. Foi dele que herdou o sobrenome Pastro. A avó paterna, Geneviève de Grand, era da Provença francesa.Apesar de a família ser de fé católica, não foi o que mais o influenciou em questões religiosas.
Suas raízes se encontram no monaquismo beneditino, que entrou em sua vida pela convivência com as irmãzinhas da Assunção, cujo convento situavase na Alameda Lorena, bem em frente à casa em que a família morava. Dos 7 aos 19 anos, teve uma formação muito ligada a elas, porque seus pais compartilhavam daquele mundo. Sua mãe Aloísia, que todos chamavam de Luizita, pertencia ao grupo das Monicas, senhoras que participavam dos eventos assuncionistas.

Quando jovem, sua vocação para as artes tornou-se evidente. Se havia uma peça teatral ou um show na escola, logo o chamavam para criar o fundo do palco. Numa dessas ocasiões, desenhou todo um cenário com giz colorido sobre uma lona de caminhão. Assim, quando pensou em cursar uma faculdade, Claudio Pastro quis Belas Artes, muito incentivado pelos professores. Na época, já existiam Belas Artes, que eram a Pinacoteca e a FAAP. Mas não teve condições de fazer o curso, pois seus pais não podiam pagar a faculdade.
Mosteiro Nossa Senhora da Paz
Suas primeiras obras foram na capela do Mosteiro Nossa Senhora da Paz em São Paulo. Vieram então as criações para o Colégio Santo Américo e para outras igrejas. Aos poucos foi se tornando conhecido. Ao lado o Mosteiro Nossa Senhora da Paz.

O Pantocrator que encontra-se na Igreja São Bento do Morumbi, no Colegio Santo Américo, foi inaugurado em 1981, é um painel de 30 x 05 metros de altura, seu primeiro grande trabalho.
Ao receber o convite para fazê-lo, sentiu-se inseguro. Irmã Mônica Castanheira, a quem ele considera uma intelectual de largos horizontes, lhe disse: “Claudio, vá em frente. Não tenha medo, você é pós-Vaticano II!”. Para Claudio, ser pós-Vaticano II é ter a consciência da volta às fontes e agir de acordo com ela.
O Pantocrator

Claudio Pastro considera-se um iconógrafo e não vê em seus trabalhos nenhuma ligação com qualquer outro iconógrafo, a não ser uma relação genérica: o Pantocrator.Os ícones foram recuperados pela Igreja Católica só após o Concílio Vaticano II. Na visão de Claudio Pastro, após o Concílio a Igreja nada tinha a oferecer em termos de arte e foi pedir socorro à Igreja Oriental, onde a arte tem fundamento
Lá, o Cristo Pantocrator é o ícone de maior significado. Ainda segundo ele, “se isso não acontecesse, talvez hoje sequer soubéssemos o que é um ícone, o Mistério, o Sagrado. O sentimento do sagrado apaga o eu, pois quem tudo determina é a divindade — Criador-Redentor. A partir do Concílio Vaticano II, Claudio Pastro serve-se de sua obra para enaltecer a figura de Cristo. “Ele é o rei. Os santos nada poderiam sem Ele. Todos eles viveram em função do Cristo como nós vivemos”, diz. “Se é para reverenciar apenas um santo, melhor colocá-lo logo em destaque na igreja para torná-lo um mito, um ídolo.” O que inspira Pastro, o que lhe importa, é a ação de Deus em nós e a nossa relação com Ele. O que o toca é a presença do mistério Criador-criatura.

A arte de Pastro no Mosteiro da Virgem

O Cristo Pantocrator foi realizado por Pastro na Abside da Igreja Abacial do Mosteiro da Virgem em Petrópolis RJ no ano de 1986.O Mosteiro da Virgem era uma fundação dedicada para cuidar da Igreja, principalmente do clero. Foi fundado por Madre Francisca no inicio do século XX. Na década de 60, por falta de membros, a comunidade foi acoplada à Abadia de Nossa Senhora das Graças de Belo Horizonte, havendo uma refundação do Mosteiro.
A igreja Abacial do Mosteiro da Virgem foi projetada arquitetonicamente por Pastro, que também realizou a feitura do altar, ambão, crucifixo, sacrário, escultura Mãe de Deus, vitral e painéis.

Vejam agora os detalhes da arte de Pastro no Mosteiro da Virgem.
 
Capela de São Bento e Santa Escolástica

A cruz de Cristo, como báculo na mão do Patriarca dos Monges do Ocidente, une as auréolas dos irmãos. São bento tem na mão a Santa Regra com a frase "Per Ducatum Evanngelli" ( guiados pelo Evangelho), sentido do monaquismo beneditino.
A Presidência ou Sédia

Composta de três cubos dá destaque, no centro, ao lugar do presidente da Assembléia, o padre, embaixador do Celebrante, Cristo Jesus.
A virgem 
( Em bronze 1,20 m de altura)

Ela é a Theotokos ( a Mãe de Deus), trazendo Deus em seu seio. 
O Crucifico
(Cristo de bronze 0,60m de altura e cruz de ferro)

A Cruz é sinal da árvore da vida (Gn 2,9) que o Senhor nos conquistou com a sua Morte e Ressureição, abrindo - nos as portas da Jerusalém Celeste, do Paraíso, qual Novo Adão ( ICor 15,21).
A Relíquia

Sob o Altar, na frente, encontra - se uma pequena lápide com a inscrição: "Dos ossos do Apóstolo Paulo". O Verdadeiro Trono do Senhor sempre foi o coração do cristão e, sobretudo, os restos mortais dos que O testemunharam até com o próprio sangue.
Painel da Ábside
(Com 9m de altura por 4m de largura: mural realizado com tintas "pigmento terra" alemães e inglesas à base de água, cola branca e fixador matte americano o acrílico.)

Eu renovo todas as coisa ( Ap, 21,5). Frase que se lê no pequeno Enageliário que está na mão esquerda do Cristo e sintetiza todo o painel: se com Adão e Eva a humanidade se perde o Paraíso, com o Cristo, Novo Adão, a humanidade recupera o Paraíso.
Pedro e Paulo

Á esquerda e á direita, na base do painel,, são os fundamentos da Igreja Apostólica, juntamente com os demais apóstolos.
 
Quer agendar uma visita ?
Olá,
Se você deseja tornar-se um colaborador do Mosteiro da Virgem em Petrópolis (RJ), entre em contato conosco e faça parte do projeto AMIM - Amigos do Mosteiro. Para maiores informações, entrar em contato através do e-mail: mosdavirgem@gmail.com.

https://www.facebook.com/MosteirodaVirgem.

(fonte: Informativo Mosteiro da Virgem. Amigos do Mosteiro. Outubro/Novembro 2016)

sábado, 9 de abril de 2016

Oficina de Extensão em Tiradentes (08 a 10 de março de 2016)

Coordenação: Profs. Adriano Paiter e Maria Clara Amado

Dados para a pesquisa

1. Sobre o barroco (síntese)
http://www.macamp.com.br/variedades/Barroco.htm.

2. Sobre a Cidade e os bens tombados
http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/377/

3. Sobre os monumentos em estudo na Oficina

3.1. Matriz de Santo Antonio
http://www.tiradentesvirtual.com/turismo/atracoes.asp?A=Igreja-Matriz-de-Santo-Antonio&ATR_SEQ=120

3.2. Chafariz de São José das Botas
http://www.tiradentesvirtual.com/turismo/atracoes.asp?A=Chafariz-de-Sao-Jose&ATR_SEQ=121

3.3. Santo Antonio da Canjica
http://www.tiradentesvirtual.com/turismo/atracoes.asp?ATR_SEQ=126&TipoAtracao=%3C%3E&ATR_DSC_NOME=Capela%20Bom%20Jesus%20da%20Pobreza

3.4. Capela do Bom Jesus da Pobreza (Bom Jesus Agonizante)
http://www.tiradentesvirtual.com/turismo/atracoes.asp?ATR_SEQ=126&TipoAtracao=%3C%3E&ATR_DSC_NOME=Capela%20Bom%20Jesus%20da%20Pobreza

3.5. Largo das Forras
http://www.tiradentesvirtual.com/turismo/atracoes.asp?A=Largo-das-Forras&ATR_SEQ=284


segunda-feira, 6 de julho de 2015

domingo, 8 de março de 2015

LUGARES DE MEMÓRIA: Vassouras do conhecimento crítico à apropriação pela comunidade do seu patrimônio. Mesa Redonda, Exposição e Coquetel de lançamento do livro



LUGARES DE MEMÓRIA
Vassouras do conhecimento crítico à apropriação pela comunidade do seu patrimônio.
Raphael David dos Santos Filho (Org.)

Mesa Redonda, Exposição e Coquetel de lançamento do livro LUGARES DE MEMÓRIA Vassouras do conhecimento crítico à apropriação pela comunidade do seu patrimônio.
https://www.facebook.com/events/1405995663042810/

Local/ horário: Auditório da Prefeitura Municipal de Vassouras – Centro da Cidadania, Dia 19 de março de 2015, às 18h.
Apoio: Prefeitura Municipal de Vassouras/ Secretaria Geral de Governo, Rotay Vassouras e Jornal Tribuna do Interior

Concebido a partir de Projeto de Extensão da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que tem como objetivo manter pública suas ações educativas motivando a comunidade envolvida, Lugares de Memória – Vassouras do conhecimento crítico à apropriação pela comunidade do seu patrimônio é um convite a todos para conhecerem e se aproximarem do universo do Centro Histórico de Vassouras.

O livro aborda as relações diversas que ao longo do tempo se estabeleceram entre o Centro Histórico de Vassouras e sua comunidade e ainda, aborda temas fundamentais como memória, preservação, turismo e educação, com todas as tensões que se estabelecem entre o passado e o presente. Além da questão da paisagem, que se configura no conjunto dos edifícios históricos, o livro contribui para a discussão de políticas de preservação, além de compartilhar novos olhares sobre Vassouras a partir de mais de 100 imagens coletadas ao longo de pesquisa de extensão e que representam parte importante da vida simbólica dessa comunidade.

Em um trabalho que contou com parcerias e participação de alunos e professores de outras importantes Universidades, Centros de Educação Infantil e Escolas de Ensino Superior – Escola de Belas artes (UFRJ), Faculdades Integradas Silva e Souza (FISS), Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Geraldo Di Biase (UGB), Universidade Federal de Juiz e Fora e de Instituições Museológicas ‐ Museu Casa da Hera/IBRAM – instigaram para a sensibilização e o conhecimento do tema, em um trabalho conjunto cujos resultados compartilhamos agora.

Programação

Mesa Redonda, Exposição e Coquetel de lançamento do livro LUGARES DE MEMÓRIA Vassouras do conhecimento crítico à apropriação pela comunidade do seu patrimônio.

Local/ horário: Auditório da Prefeitura Municipal de Vassouras - Centro da Cidadania,
Dia 19 de março de 2015, às 18h.
Apoio: Prefeitura Municipal de Vassouras/ Secretaria Geral de Governo, Rotary Vassouras e Jornal Tribuna do Interior

1. Mesa‐redonda: O Lugar de Memória e sua apropriação pela Comunidade: Vassouras.

Relato das pesquisas realizadas e resultados alcançados reunidos em Acervo Iconográfico/ Documental e apresentação do Projeto de Extensão da UFRJ desenvolvido em Vassouras.

Prof.Dr. Carlos Terra, Mediador, Diretor da Escola de Belas Artes da UFRJ (EBA‐UFRJ), Profa. Dra. Helenise Monteiro Guimarães, Líder do Núcleo de Estudos de Carnaval e Festas NESCAFESTAS (EBA‐UFRJ), Profa. Daniele de Sá Alves, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e Prof. Dr. Raphael David dos Santos Filho, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ (FAU‐UFRJ).

2. Exposição itinerante de curta duração Vassouras, Lugar de Memória.

Exposição com imagens de Vassouras sob o olhar da Artista Vânia Laranjeira, focando os múltiplos aspectos do Centro Histórico de Vassouras que compõem o livro e o Acervo Iconográfico da Pesquisa de Extensão.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Oficina Arte Imagem em Petrópolis - Texto básico (Prof. William Bittar/FAU-UFRJ)


PETRÓPOLIS
- algumas considerações sobre sua arquitetura -

por
William Bittar [1] 

 (Esse texto somente poderá ser reproduzido ou copiado com a autorização expressa do autor)

INTRODUÇÃO:
                Conhecida como Cidade Imperial, curiosamente este título não acompanha seu desenvolvimento desde os primórdios da fundação.  Só na penúltima década do século XX a cidade pode ostentar oficialmente esta justa honraria.
                Mais do que qualquer outro núcleo fundado ou que tenha progredido ao longo do século XIX, Petrópolis conseguiu, de forma resumida, expressar as significativas mudanças de uma Colônia luso-brasileira em uma tentativa de implantação de um Império nos moldes franceses.
                Aqui estão aliados, respondendo a novos fundamentos sociais, planejamento urbano e uma nova arquitetura, definindo cenários para um outro modo de vida que, no alto da serra, poderia ser desfrutado por imigrantes, segmento constitutivo da camada mais pobre local, e pela nobreza, com todo seu luxo e exuberância, que ali permaneceria mais de seis meses por ano.
                Em Petrópolis foram raras as adaptações decorrentes da mudança de uso, pois as edificações já eram definidas para atender a necessidades básicas, implantadas em lotes mais generosos, por vezes dotados de água e sistema de esgotamento.
                Subir a Serra da Estrela era chegar a outro mundo, longe do calor úmido da Corte, próximo ao cais, próximo de inquietantes epidemias e das ruas estreitas e sujas.  Subir a serra era viver a vida da Corte, numa cidade limpa, planejada, onde circulavam nobres em suas carrugens, a caminho do próximo sarau.
                Tal postura, mesmo com a República e ainda ao longo do século XX permaneceu, fazendo de Petrópolis, após a melhoria dos acessos rodoviários, local de veraneio em belas casas construídas próximas ao Hotel Quitandinha, de visitas às suas sorveterias, ou mesmo um prosaico passeio de domingo, quando curiosas crianças deslizavam (e ainda deslizam) pelos lustrosos pisos em parquet do antigo Palácio de Verão, agora Museu Imperial, permitindo, ainda que de forma fragmentada e pontual, uma tênue compreensão de como Imperadores se comportavam num Império Tropical.

DENOMINAÇÃO:
                Segundo a tradição, o nome Petrópolis (cidade de Pedro) seria uma sugestão do Mordomo da Casa Imperial, Paulo Barbosa, em homenagem ao Imperador D. Pedro II, inspirado na cidade russa de São Petersburgo.

LOCALIZAÇÃO/CLIMA/TOPOGRAFIA:

                A cidade de Petrópolis está situada no alto da Serra da Estrela, a 809m de altitude,  nos contrafortes da Serra do Mar, no Estado do Rio de Janeiro.  Seu clima é classificado como tropical de altitude, com temperaturas amenas, com médias entre 14° e 23° C.
                Uma característica da região é o aumento do índice pluviométrico entre novembro e março,  e também a presença de um forte nevoeiro, o “ruço”, que cobre a cidade ao final da tarde.
                A topografia da cidade, entrecortada por vales, definiu seu modelo de ocupação original, de forma linear, frequentemente acompanhando o leito dos rios Quitandinha e Piabanha.

HISTÓRICO:

                Com a descoberta do ouro na última década do século XVII, iniciou-se uma ocupação gradativa do interior, cujo acesso se fazia por antigas trilhas indígenas ou bandeirantes.
                Alguns caminhos tornaram-se importantes vias de penetração e ao longo destas, diversas sesmarias foram doadas para os primeiros ocupantes daquelas paragens.
                Um destes caminhos, serra acima, passava por onde se desenvolve a cidade de Petrópolis.
                “Esta paisagem oferecia dois aspectos bem diversos.  Nos cumes, a natureza agreste e selvagem derramava-se, verde e abrupta, pela extensão dos picos de granito.  Nas encostas, as terras cultivadas, as herdades, as granjas, pequenos tetos e pequenos lares onde o trabalho honesto apresentava os seus efeitos[2]
                As sesmarias, com o passar do tempo, dividiram-se em fazendas, hoje logradouros conhecidos da região, como Correas, Samambaia, Quitandinha, Córrego Seco e outros.
                Após a Independência, em 1822, o novo Imperador do Brasil, D.Pedro I, em suas constantes viagens, tomou contato com aquela região serrana, de clima ameno e agradável, onde pernoitava com relativa freqüência nas terras do Padre Correas, que tentou, infrutiferamente, adquirir.
                “Ora, um dia em que ele vinha com a segunda imperatriz, pousou no Córrego Seco e foi ela que louvou as virtudes da paisagem”[3]
                Recebidos por Dona Arcângela Joaquina da Silva, que solicitamente abrigava a grande comitiva, geravam muitos transtornos e despesas, que não passaram desapercebidos a Dona Amélia, a jovem Imperatriz educada nas casas européias.
                Atendendo às solicitações da esposa, insistiu na compra daquelas terras, oferta recusada por D. Arcângela.
                Em 1830, por indicações daquela mesma senhora, comprou a fazenda do Córrego Seco, onde pretendia instalar um Palácio de Verão, empresa que a abdicação, em 1831, impediu de concretizar.
                Somente no segundo Reinado, seu filho e sucessor, D.Pedro II, iria iniciar a realização do sonho do pai, através de decisões do Mordomo da Casa Imperial, o Conselheiro Paulo Barbosa, que havia arrendado a antiga fazenda, visando arrecadar fundos e mantê-la em condições satisfatórias.
                O Major Koeler, seu último arrendatário, na ocasião da renovação, resolveu propor uma forma diferente de ocupação: a instalação de uma colônia agrícola de imigrantes alemães.
                A resposta veio de forma solene com a promulgação do Decreto Imperial n° 155, arrendando a fazenda a Koeler, em troca do levantamento da planta da futura povoação, definindo a distribuição dos prazos[4] de terras aos colonos e do Palácio de Verão.
                A criação de Petrópolis como estância de veraneio e pólo de atração da nobreza deveu-se principalmente a estas decisões.  Os acessos foram melhorados.  Imigrantes alemães que chegaram ao porto do Rio de Janeiro foram ali instalados, além do incessante trabalho do major Koeler, que organizou a colônia de seus conterrâneos, em 1843 e três anos depois traçou o plano urbanístico da cidade e continuou a construção do Palácio Imperial, iniciada em 1845.
                Em 1844, Koeler firmou um contrato com a firma de Dunquerque, Carlos Delmer & Cia, prevendo a vinda de 600 casais[5] de trabalhadores como carpinteiros, ferreiros e pedreiros, para construção imediata do suporte para assentar a Colônia Agrícola, empreendimento logo frustrado pela inadequação do terreno e a viabilidade crescente do trabalho em artesanato e indústria, sugerindo a instalação de fábricas, aproveitando a abundância das águas da região.
                Este processo iniciou-se com produtos alimentares caseiros, como conservas, manteiga e queijo, seguindo-se a construção de carroças.
                Em 1853, várias indústrias já estavam estabelecidas na região, como uma fábrica de tecidos, três de cerveja, uma serraria e uma de calçados, gerando, em 1854, a fundação da Sociedade de Agricultura e Indústria.
                Ainda durante o Império, em 1883, foi fundada a Fábrica Petropolitana , na Cascatinha, que associava ao edifício fabril, de características inglesas, a implantação de uma Vila Operária, partido que seria adotado com frequência nos anos subsequentes, pricipalmente após a Proclamação da República.
                Petrópolis tornou-se tão importante no segundo reinado que seria possível afirmar que dividia as atenções com a Corte do Rio: tempo quente, família Real na serra (novembro a abril), regressando em épocas mais amenas e menos sujeitas às doenças tropicais.   
                A própria viagem refletia os ideais da época, quando o bucolismo e o pitoresco eram valorizados: tomava-se um barco no centro[6], dirigindo-se até o porto da Estrela, em Magé, dali, em carruagens, subia-se a Serra.
                Mais tarde, já com a ferrovia, na estação de Guia de Pacopaíba, no fundo da baía da Guanabara, fazia-se a baldeação barca-trem, que em cremalheira subia os contrafortes da montanha.
                Com menos de 15 anos, já se cogitava em elevar a vila à cidade, o que ocorreu em 1857, com a formação da primeira Câmara dos Vereadores.
                Em 1861 inaugurava-se a primeira estrada de rodagem do país, a União e Indústria, ligando Petrópolis a Juiz de Fora e, em 1883, o trem chegava direto à cidade.
                Mesmo com a República, que frequentemente procurou obscurecer as realizações do Império, Petrópolis continuou atrativa: lá estava localizada a residência de verão da Presidência, o palácio Rio Negro.
                Nos anos 40, um dos principais cassinos do Estado do Rio de Janeiro ali instalou-se: tratava-se do Quitandinha, imponente edificação “Normanda”, à entrada da cidade, inaugurado em 1944, atraindo turistas de todo o mundo.
                Até os anos 60 Petrópolis permaneceu como agradabilíssima cidade de veraneio ou férias, longe do burburinho do então Distrito Federal e reduto daqueles que, mais abastados, dispunham de um local mais tranquilo para descanso e lazer.
                A partir daí, com o incentivo ao transporte rodoviário,  ocorreu uma ocupação desenfreada e irracional, com o lucro fácil como objetivo: construíram em encostas, poluíram-se os rios, dilapidou-se o patrimônio cultural e a cidade de veraneio transformou-se em ponto de passagem, comprometendo as vias de caixa reduzida para o crescente volume de tráfego e a especulação imobiliária.

O TRAÇADO:

                A proposta urbanística para a cidade tratava-se de  um plano original para época: ocupação dos vales onde corriam os rios, abastecimento para as residências e possibilidade de esgoto sanitário.  Para muitos, Koeler teria utilizado a região renana, na Alemanha, como principal referência, cumprindo seu acordo com a casa Imperial que em seu artigo 10 estabelecia que o Major deveria “levantar a planta da futura Petrópolis e do Palácio, ...demarcar em prazos... todo o terreno e numerá-los”.
                Os imigrantes alemães acomodaram-se nos vales, em quarteirões[7], demarcados pelo Major, divididos segundo a região de procedência, atribuindo-lhes nomes “familiares”, na maior parte das vezes em homenagem a locias da Alemanha como Bingen, Castelânea, Ingelheim, Mosela, Nassau, Palatinato, Renânia, Siméria, Westfália. “Alonga-se e já se estende, num raio de cinco a seis milhas, contornando morros, seguindo os cursos d’água, sem direção exata, conforme os rumos obrigatórios.  No centro acham-se as duas ruas principais, a do Imperador, de traçado correto, vasta perspectiva, e a da Imperatriz, que defronta o palácio.  Duas outras ruas nascentes, opostas às primeiras, formam com elas um quadrado quase oblongo, no meio do qual se eleva uma colina...”[8]  Além disso, o lote generoso (prazos) permitia uma ocupação mais racional, com preocupações com insolação e ventilação adequadas.
                O traçado original, que parcialmente ainda pode ser detectado em alguma ruas do Centro, não resistiu às transformações de uma Colônia Agrícola em sub-sede do Poder, ainda no século XIX, nem às modificações mais recentes, quando uma tranquila cidade de veraneio tornou-se via de passagem por suas ruas estreitas, e os antigos lotes que comportavam casas com generosa implantação foram ocupados de forma predatória por edifícios de vários pavimentos, comprometendo todo o abastecimento de água, luz, serviços de esgotos e fluxo viário.


SISTEMAS CONSTRUTIVOS:
                Com seu processo de ocupação iniciado em meados do século passado, principalmente por imigrantes, a cidade não apresenta uma tradição significativa de sistemas construtivos do período colonial, inclusive pela pouca presença da mão-de-obra escrava ou lusitana, responsável pelos edifícios da antiga Colônia.
                Apenas em exemplares isolados, como o Museu Casa do Colono, em Castelânea, ainda é possível observar as técnicas construtivas dos primeiros colonizadores: paredes interna de vedação em pau-a-pique, preenchidas com barro e capim, que também já fora utilizada pelos portugueses nos primeiros tempos da colonização.
                Petrópolis incorporou as inovações técnicas advindas da Revolução Industrial, que desde 1808, com a Abertura dos Portos,  permitiu a entrada de produtos como ferro, vidro, folha de Flandres, em grande escala, alterando os tradicionais hábitos de construir.
                É possível perceber a fusão de processos artesanais de construção, frequentemente utilizado em fundações  e em algumas paredes autoportantes (pedra e barro) com materiais e técnicas mais modernas, como o tijolo importado e a estrutura metálica, tanto para vencer vãos de cobertura, acrescentar varandas, escadas, ou mesmo constituir estruturas autônomas.
                Com a chegada do Ecletismo, diversos outros materiais de acabamento, na sua maioria importados, foram acrescentados: ladrilhos hidráulico, parquet para os pisos,  azulejos nas fachadas, telhões de louça esmaltada nos beirais, coberturas em ardósia, lambrequins debruando os frontões dos chalés, além de requintes para interiores vindos diretamente da Europa para ornar os salões desta sociedade que prezava o hábito de receber quase acima de tudo. Um bom exemplo desta sofisticação ainda pode ser observado no pátio interno na antiga residência do Barão de Mauá, próxima ao Palácio de Cristal, onde um sofisticado sistema de catracas embutidas em colunas permite a abertura de básculas junto à cobertura.


PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO:
                O Patrimônio Arquitetônico de Petrópolis é notável, encontrando-se ruas inteiras passíveis de preservação pela qualidade e multiplicidade de partidos e gostos, desde o neoclássico imperial até construções contemporâneas.
                Um curto percurso por ruas próximas ao atual Museu Imperial permite compreender o potencial deste patrimônio: o Palácio, a casa da Princesa Isabel, a Catedral de S.Pedro, chalés, chácaras, edifícios de ferro e vidro, edificações ecléticas, neocoloniais, normandas, déco, modernas, construções dos anos 1970,  enfim, uma variada possibilidade de apreender a produção arquitetônica nacional, disposta em poucas quadras, que merece ser observada em conjunto com o que resta do plano Koeler, modificando a observação de Ribeyroles em 1860: “Em que ponto do Rio, esplêndida queimada, se acharia ar mais puro, clima mais salubre que Petrópolis?”[9]


ARQUITETURA OFICIAL:

                Considerando a importância de Petrópolis como sub-sede do poder, já que por cerca de seis meses por ano a Corte ali se instalava, os edifícios construídos para abrigá-la podem ser considerados como Arquitetura Oficial.
                Por suas características administrativas especiais, não vamos encontrar aqui a Casa de Câmara e Cadeia, tão comum nos núcleos coloniais, e se algum exemplar de edificação pública hoje existe, provavelmente já é decorrente da instituição da República, como a Prefeitura, Câmara e edifícios acessórios, instalados em prédios adaptados.
                O mais importante representante da presença da Família Real na cidade é o Palácio de Verão, atual Museu Imperial,  edificação de grandes dimensões, implantado em meio a jardins ingleses e franceses, desenhados por Jean Baptiste Binot, sob orientação pessoal do Imperador.  Seu risco original é atribuído ao Major Koeler, desenvolvido posteriormente por Cândido Guillobel, Porto Alegre e Jacinto Rebelo, profissionais ligados ao neoclassicismo produzido na Capital, influenciados por Grandjean de Montigny.
                Construído em 1845,  apresenta fachada com dominante horizontal, corpo central elevado em dois pavimentos destacado pela inserção de corpo sacado, suporte do terraço apoiado em pórtico de arcos plenos marcando o acesso principal.  Este corpo é encimado por frontão triangular com as armas do Império,  ladeado por pilastras compósitas, pintadas de branco, destacando-se do fundo rosa do restante da edificação.
                A planta é composta por corpo central de dois pavimentos, dividindo simetricamente o conjunto em duas alas laterais que, durante o Império, abrigava o complexo programa de residência e local de trabalho do Imperador.
               
                O Palácio Amarelo, atual sede da Câmara de Vereadores, foi construído no final do século passado para residência do Conselheiro Mayrink e após a República, em 1894, passou ao poder da municipalidade.
                Com programa adaptado às novas funções, trata-se de edificação eclética, de dois pavimentos e fachada simétrica, com elementos de filiação clássica, como a colunata da fachada e duas cúpulas revestidas em ardósia.  Sua implantação diante de uma praça de grandes dimensões favorece a apreensão do conjunto, enriquecendo a composição.

                O Palácio dos Correios, edificação eclética de gosto classicizante, já representa o gosto republicano para edifícios públicos.  Foi projetado por Cristiano das Neves, em 1922, utilizando referências do renascimento francês para o conjunto disposto em dois pavimentos, arrematados por telhado em ardósia com aberturas à feição de mansardas. A sofisticação se faz presente também no interior, onde um amplo salão é arrematado por um conjunto de vitrais importados.

                O Palácio Rio Negro, residência oficial da Presidência da República na cidade, foi construído ao final do século XIX, provavelmente em 1889, como residência para o Barão do Rio Negro.  Após a Proclamação da República, o Palácio abrigou a sede do governo entre 1894 e 1902, quando Petrópolis foi a capital do estado.  Após 1902, a edificação passou às mãos da União até nossos dias.  O conjunto hoje compreende três edifícios: o bloco central principal, em dois pavimentos, com fachada de inspiração classicizante, um chalé lateral e uma edificação menor, na outra extremidade, de clara influência do Renascimento Francês, de dois pavimentos, arrematada por telhado em ardósia, com a marcação de mansardas e ornamento central representando a “Justiça”, lembrando a época que este pavilhão, construído pelo filho do Barão, funcionou como Tribunal da Relação.
               

ARQUITETURA CIVIL:
                Petrópolis não apresenta muitos exemplares do período inicial de ocupação, quando imigrantes alemães ali se estabeleceram.  Como referência, restou o Museu Casa do Colono, onde, além da arquitetura, pode ser observado parte do cotidiano daquela comunidade através de seus utensílios e artefatos.
                No entanto, do conjunto construído a partir da metade do século XIX, muitos edifícios chegaram até hoje, alguns em muito bom estado de conservação. 
                A Avenida Koeler, projetada pelo Major que lhe dá o nome, disposta ao longo do rio Quitandinha, aglutina boa parte deste notável acervo, em lotes generosos, dotados de belos jardins arborizados.
                Ali podemos observar exemplos notáveis, como a Casa da Princesa Isabel, no n° 42, antiga casa do Barão do Pilar, construída entre 1849 e 1857 e reformada em 1877 para abrigar a Princesa Isabel e seu marido, o Conde d’Eu.  O resultado da reforma produziu uma residência bem proporcionada, disposta horizontalmente sobre porão alto que a destaca do jardim francês.  O corpo central destaca-se pela presença de frontão triangular apoiado sobre colunas jônicas, gerando discreto avarandado de acesso.  Sem pretensões de grandiosidade, trata-se de um dos mais delicados exemplos de residências neoclássicas produzidas no Brasil Imperial.
                O espírito romântico apresenta-se em exemplos como o Chalé localizado no n° 215, ou em residências como a de n°131, ou ainda nas águias e leões dispostos juntos aos portões dos jardins.  O próprio conjunto da rua, arrematado pela Catedral ou pela Praça da Liberdade favorece ao clima do Romantismo.
                O Ecletismo de caráter Historicista tem seu melhor representante na Vila Itararé, edifício ao final da alameda, junto à praça,  de feições medievais, com paredes revestidas em pedras, torreões, vitrais e arcos ogivais.
                O movimento neocolonial, que tanta importância teve no Rio de Janeiro na década de 1920, ali deixou um marco significativo:  a residência localizada no n° 304, com azulejos na fachada, frontões curvilíneos e a inserção de um muxarabi[10] como vedação de vão.
                Saindo da Avenida Koeler, por todo o núcleo histórico e adjacências é possível encontrar exemplos significativos da evolução da arquitetura, demonstrando que a cidade, por suas características sócio-políticas, esteve sempre em sintonia com o que estava acontecendo no restante do país.
                Alguns exemplares merecem destaque especial:
Palácio Grão-Pará - Atual residência da Família Imperial, a edificação foi construída entre 1858 e 1861 para abrigar o quartel dos “semanários”, isto é, fidalgos que se revezavam no serviço do imperador.  Originalmente integrava um conjunto composto com o Palácio, cocheiras e aposentos de serviço.  Trata-se de edifício de gosto neoclássico, com dois pavimentos, de autoria do arquiteto Teodoro Marx, da Casa Imperial, com forte influência do Renascimento florentino.
Residência do Barão de Mauá - A edificação, siutada na Praça da Confluência, nº 03 foi construída na segunda metade do século XIX, período de apogeu econômico do Barão de Mauá, que posteriormente teve que vendê-la para saldar a sucessão de dívidas. Trata-se de edifício de dimensões medianas, de dois pavimentos, implantada em centro de terreno, com fachada bem proporcionada utilizando o repertório neoclássico.
Palácio de Cristal - Pavilhão que representa a arquitetura da Revolução Industrial ou do Ferro, que adquiriu importância a partir da Exposição inglesa de 1851.  Compõe-se de estrutura metálica, planta em cruz, com área de 224m2, vedado com placas de vidro.  Chegou ao Brasil em 1879, inteiramente desmontado, sendo a primeira construção pré-fabricada aqui instalada, inaugurada em 1884.  Foi produzido nas oficinas de Saint-Saveur-les-Arras, na França,  e montado no Brasil pelo engenheiro Eduardo Bonjean, com a finalidade de abrigar exposições de produtos da região. Após a República, o pavilhão continuou com vida movimentada, abrigando bailes, museu histórico, rinque de patinação e até corpo de bombeiros.[11]
Residência da Família Tavares Guerra - Palacete implantado à Av. Ipiranga, nº 716, em centro de terreno com jardins de influência romântica, atribuídos a Glaziou, representa o ecletismo aplicado à arquitetura utilizando modelos vitorianos como referência principal.  Conta a tradição que o autor do projeto, procurando demonstrar sua habilidade, criou uma fachada aparentemente simétrica, mas que apresenta sete erros numa observação mais atenta. Em sua fachada é possível observar-se as iniciais do primeiro proprietário, J.T.G., e uma data, 1884, que pode ser atribuída ao período de construção.
Residência de Santos Dumont - Pequena edificação conhecida como “A Encantada” implantada em terreno de aclive acentuado e dimensões reduzidas, sugerindo um “chalé” dos Alpes.  Foi idealizada por Santos Dumont e projetada pelo Engenheiro Eduardo Pederneiras, que assina as plantas expostas no local.  Vale mais pela curiosidade de seu espaço unitário e adaptado com racionalidade e seu caráter histórico do que pelo seu valor arquitetônico.
Conjunto Fabril da Cascatinha - Este conjunto, afastado do centro histórico, compunha-se, originariamente, de um complexo composto do edifício principal destinado à fábrica de tecidos, de clara influência inglesa, e quadras de casas destinadas aos operários, organizadas em uma Vila, procedimento usual em estabelecimentos afins ao final do século passado.  A fábrica encontra-se desativada e muitas das casas descaracterizadas, apesar do tombamento.
Conjunto Fabril Santa Helena - Mais afastado do Centro histórico, localizado no Morin, este conjunto, de tombamento recente, construído em 1908, continua a tradição de edifícios fabris inspirados em modelos ingleses.  Também associa uma Vila Operária, de pequenas dimensões, ao edifício principal, também bastante descaracterizada por reformas sucessivas nas unidades habitacionais.
Grupo Escolar Pedro II - Edifício escolar projetado por Heitor de Mello, ao final da década de 1910, de gosto neocolonial, um dos exemplares responsáveis pela difusão deste estilo, seguindo o exemplo de outros países latino-americanos que utilizaram repertório semelhante para seus edifícios escolares.
Palácio Quitandinha - Notável e grandiosa edificação projetada por Luiz Fossati e Alfredo Baeta Neves, em gosto normando, foi construído em 1944 para abrigar um Hotel-Cassino.  Este empreendimento de 50.000 m2 de área construída, 440 apartamentos, salões, restaurantes, piscinas, foi da maior importância para implementar o turismo na região, tornando-se conhecido inclusive internacionalmente.  Com a proibição do jogo, em 1946, este fantástico conjunto nunca mais retornou aos seus momentos de glória.
Theatro Dom Pedro ( antigo Cinema Pedro II) - Edifício com finalidade de abrigar um cine-teatro, localizado em um dos pontos de maior concentração do Centro, próximo ao Museu Imperial, apresenta fachada de influência art-déco, revestida em pó-de-pedra.  Foi recuperado recentemente.
Centro Cultural Raul de Leoni - Edifício construído nos anos 1970, na Praça Visconde de Mauá, nº 305, próximo à Câmara dos Vereadores, situação que compromete sua relação com o entorno.  Utiliza o repertório brutalista, difundido principalmente em São Paulo a partir dos anos 60,  enfatizando o uso do concreto aparente em grandes volumes, num predomínio dos cheios sobre os vazios.


ARQUITETURA RELIGIOSA:
Catedral São Pedro de Alcântara[12] - Edificação eclética historicista, inspirada no gótico francês, constitui-se, junto com o Museu Imperial, em um dos principais símbolos da cidade.  Tanto a fachada, com a utilização do revestimento em pedra, arcos ogivais nos vãos e da torre vertical central, quanto a planta, em forma de cruz latina, apresentando um deambulatório[13] que circunda todo o perímetro interno do edifício, ou ainda a decoração interior onde predomina a madeira escura dos confessionários e púlpitos e a sugestão de abóbadas de aresta, marcadas em pedra sobre fundo branco, tudo remete à este modelo de arquitetura do passado que, durante o século XIX, constituiu-se em verdadeiro referencial para edifícios religiosos.  Suas obras, iniciadas por encomenda do Imperador em 1884, foram interrompidas com o advento da República e só retomadas ao longo do século XX[14]. É importante destacar que, junto ao nártex, está situada a Capela Imperial que abriga os restos mortais de D.Pedro II, D. Tereza Cristina, a Princesa Isabel e seu marido, o Conde d’Eu,  todos depositados em urnas ornadas por esculturas jacentes de seus ocupantes.


BIBLIOGRAFIA:
COLEÇÃO DO CENTENÁRIO - 7 v.  Petrópolis, Instituto Histórico de Petrópolis.
DECISÃO: PETRÓPOLIS - INFORMAÇÃO PARA INVESTIDORES.  Petrópolis,    Prefeitura Municipal de Petrópolis/FIRJAN/CIRJ/SESI/SENAI/IEL/SEBRAE, s.d.
EARP, Arthur Leonardo de Sá. Os Quarteirões in Petrópolis: Cidade Imperial - Mapa Turístico. Petrópolis: Petrotur, 1995.
GUIA DE PETRÓPOLIS. Petrópolis, Castor Comunicação, jan 1997.
LACOMBE, Lourenço Luiz. Um Resumo da História de Petrópolis in Petrópolis: Cidade Imperial - Mapa Turístico. Petrópolis, Petrotur, 1995.
RIBEYROLES, Charles.  Brasil Pitoresco. S.Paulo: Itatiaia. 2v.
SALGADO, Maria Luiza. As raízes de Petrópolis  in Município de Petrópolis - 2° Distrito - Cascatinha. Mapa Turístico. Petrópolis: Petrotur, dez 1996.









Roteiro inicial que poderá ser modificado conforme as condições de tempo e horário de chegada

Manhã: início cerca de 8h30min
1.       Catedral São Pedro
2.       Av. Koeler (palacete Isabel, chalés, palacetes ecléticos, neocolonial)
3.       Praça da Liberdade
4.       UCP / Casa de Santos Dumont
5.       Palácio de Cristal
6.       Catedral

Almoço ou lanche

Tarde:
7.       Museu e adjacências.
Saída de Petrópolis: 15h
Chegada ao Rio: cerca de 16h30min.

 (Esse texto somente poderá ser reproduzido ou copiado com a autorização expressa do autor)





[1] Esse texto somente poderá ser reproduzido ou copiado com a autorização expressa do autor.
[2]  Charles RIBEYROLES. Brasil Pitoresco. v.1. p.268
[3]  idem. op. cit. p. 269.
[4] lotes com dimensões suficientes para permitir a subsistência de uma família.
[5] Conta a tradição que, na tradução do contrato para o alemão, intencionalmente ou não, a palavra casais foi trocada por famílias, aumentando de forma incontrolável o fluxo migratório, obrigando a sustação da remessa.
[6] Na sua obra Esaú e Jacó, Machado de Assis comenta, ainda em sua Introdução,  que a mesma “apenas daria (e talvez dê) para matar o tempo da barca de Petrópolis”.
[7] Aqui quarteirões têm o sentido de bairros.
[8]  idem. op. cit. p. 280.
[9] op. cit. p. 281.
[10] Muxarabi ou muxarabiê - balcão de madeira treliçada de influência árabe, muito utilizado como elemento de vedação de vãos no Brasil, até o início do século XIX.
[11] Geraldo Gomes da SILVA. Arquitetura do Ferro no Brasil, p. 229.
[12] São Pedro de Alcântara é considerado o padroeiro do Império Brasileiro.
[13] Espécie de corredor que circunda a nave principal e permite o percurso de procissões.
[14] É possível verificar as datas das diversas etapas das obras registradas nas paredes do nártex, além de referências publicadas pelo Instituto Histórico de Petrópolis que acusam a conclusão da torre  no final dos anos 60.